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Quando Procurar Ajuda Psicológica ?

27 de set.
17 min de leitura

Em algum momento da vida, praticamente todas as pessoas podem passar por períodos de tristeza, preocupação, estresse, conflitos familiares, dificuldades profissionais, problemas nos relacionamentos ou mudanças importantes.

Mas como saber quando essas dificuldades fazem parte das experiências comuns da vida e quando pode ser importante procurar ajuda psicológica?

Essa é uma dúvida muito frequente.

Muitas pessoas pensam que só precisam procurar um psicólogo quando estão enfrentando um problema muito grave. Outras acreditam que fazer terapia significa necessariamente ter algum transtorno mental.

Nenhuma dessas ideias representa toda a realidade.

A psicoterapia também pode ser procurada por pessoas que desejam compreender melhor seus pensamentos, emoções e comportamentos, enfrentar uma mudança importante, melhorar relacionamentos, desenvolver novas estratégias para lidar com dificuldades ou simplesmente cuidar da própria saúde mental.

A American Psychological Association (APA) aponta dois critérios gerais que podem ajudar uma pessoa a considerar a busca por terapia: o problema causa sofrimento significativo? E está interferindo em alguma área da vida? APA

Portanto, não é necessário esperar que o sofrimento se torne insuportável para procurar ajuda.

Neste artigo, você vai conhecer sinais de que pode ser o momento de procurar um psicólogo, situações em que a terapia pode ajudar, diferenças entre sofrimento emocional e transtornos mentais, quando procurar psicólogo ou psiquiatra e o que fazer em situações de urgência.


O que significa procurar ajuda psicológica?

Procurar ajuda psicológica significa buscar o acompanhamento de um profissional habilitado para lidar com questões relacionadas à saúde mental, emoções, pensamentos, comportamentos, relacionamentos e outros aspectos psicológicos.

A psicoterapia pode ser utilizada em diferentes situações.

Uma pessoa pode procurar um psicólogo porque está:

  • ansiosa;

  • triste;

  • sobrecarregada;

  • enfrentando um luto;

  • passando por uma separação;

  • com problemas no relacionamento;

  • enfrentando dificuldades familiares;

  • tendo problemas no trabalho;

  • com baixa autoestima;

  • enfrentando dificuldades de adaptação;

  • preocupada excessivamente;

  • tendo dificuldades para dormir;

  • enfrentando mudanças importantes;

  • percebendo alterações persistentes no humor;

  • com dificuldade para controlar determinados comportamentos;

  • ou simplesmente querendo compreender melhor a própria vida.

Portanto, procurar um psicólogo não significa necessariamente que uma pessoa tenha um transtorno mental.

A terapia pode fazer parte do cuidado com a saúde mental mesmo quando não existe um diagnóstico psiquiátrico.


Preciso estar muito mal para procurar um psicólogo?

Não.

Esse é um dos principais mitos relacionados à psicoterapia.

Não existe uma regra segundo a qual uma pessoa precisa chegar ao limite do sofrimento antes de procurar ajuda.

Na verdade, procurar ajuda quando uma dificuldade ainda está começando pode ser uma maneira de evitar que determinado problema se torne mais intenso ou passe a interferir em outras áreas da vida.

A APA recomenda considerar a possibilidade de terapia quando determinado problema está causando sofrimento ou interferindo no funcionamento da pessoa. APA

Por exemplo, imagine alguém que começou a apresentar preocupação excessiva.

No início, a pessoa continua trabalhando, estudando e mantendo seus relacionamentos.

Depois de alguns meses, porém, começa a:

  • dormir mal;

  • evitar determinadas situações;

  • perder concentração;

  • ficar constantemente irritada;

  • apresentar sintomas físicos de ansiedade;

  • deixar de realizar atividades que antes eram prazerosas.

Nesse caso, procurar ajuda psicológica pode ser uma forma de lidar com o problema antes que ele provoque prejuízos ainda maiores.


Como saber se preciso de terapia?

Não existe um teste único capaz de responder a essa pergunta.

Uma maneira de começar a refletir é observar intensidade, duração, frequência e impacto das dificuldades.

Pergunte a si mesmo:

Estou sofrendo?

O problema provoca sofrimento emocional significativo?

Isso está durando mais do que eu esperava?

Uma tristeza, preocupação ou irritação passageira é diferente de um estado que permanece por semanas ou meses.

Minha rotina está sendo afetada?

O problema interfere no trabalho, estudos, relacionamentos, sono, alimentação ou autocuidado?

Estou deixando de fazer coisas importantes?

Comecei a evitar pessoas, lugares, atividades ou responsabilidades?

Estou tendo dificuldade para lidar sozinho?

As estratégias que normalmente utilizava já não parecem funcionar?

Pessoas próximas perceberam mudanças?

Familiares, amigos ou colegas começaram a comentar que você parece diferente?

Quanto mais essas perguntas apontarem para sofrimento persistente ou prejuízo no funcionamento, mais razoável pode ser considerar uma avaliação profissional.


1. Ansiedade excessiva pode ser um sinal para procurar ajuda

Todo mundo pode sentir ansiedade.

A ansiedade pode aparecer antes de uma prova, entrevista de emprego, apresentação, viagem, decisão importante ou situação desconhecida.

Sentir ansiedade ocasionalmente não significa necessariamente que exista um transtorno.

A preocupação passa a merecer maior atenção quando é intensa, excessiva, difícil de controlar, persistente e interfere na vida cotidiana.

A Organização Mundial da Saúde descreve transtornos de ansiedade como condições que podem envolver medo ou preocupação intensos e excessivos, frequentemente acompanhados de sintomas físicos, cognitivos e comportamentais. Esses sintomas podem prejudicar a vida familiar, social, escolar ou profissional. Organização Mundial da Saúde

Alguns sinais que podem indicar a necessidade de procurar ajuda incluem:

  • preocupação constante;

  • dificuldade de controlar pensamentos de preocupação;

  • sensação frequente de tensão;

  • irritabilidade;

  • inquietação;

  • dificuldade de concentração;

  • palpitações;

  • tremores;

  • suor excessivo;

  • desconforto gastrointestinal;

  • dificuldade para dormir;

  • medo intenso de determinadas situações;

  • crises de pânico;

  • evitar atividades por medo ou preocupação.

Esses sintomas não permitem, sozinhos, estabelecer um diagnóstico.

Mas podem indicar que vale a pena conversar com um profissional.


2. Tristeza persistente pode indicar que é hora de procurar ajuda

Sentir tristeza faz parte da vida.

Uma perda, separação, frustração, dificuldade financeira ou problema familiar pode provocar períodos de tristeza.

O problema é quando a tristeza se torna persistente, intensa ou começa a interferir significativamente na vida.

A depressão é diferente das oscilações normais de humor do cotidiano. Segundo a Organização Mundial da Saúde, ela envolve humor deprimido ou perda de interesse ou prazer por períodos prolongados e pode afetar relacionamentos, trabalho, estudos e outras áreas da vida. Organização Mundial da Saúde

Alguns sinais que merecem atenção incluem:

  • tristeza persistente;

  • perda de interesse pelas atividades;

  • perda de prazer;

  • falta de energia;

  • alterações importantes do sono;

  • alterações do apetite;

  • dificuldade de concentração;

  • sentimentos intensos de culpa;

  • desesperança;

  • isolamento social;

  • dificuldade para realizar tarefas cotidianas.

Novamente, esses sinais não significam automaticamente que a pessoa tenha depressão.

Um psicólogo ou outro profissional de saúde pode ajudar a avaliar o que está acontecendo.


3. Você perdeu o interesse por coisas que antes gostava

Esse é um sinal que muitas pessoas percebem antes mesmo de identificar o problema.

Você costumava:

  • encontrar amigos;

  • praticar esportes;

  • viajar;

  • assistir filmes;

  • sair;

  • estudar;

  • cozinhar;

  • ouvir música;

  • praticar um hobby.

Mas, de repente, essas atividades deixam de despertar interesse.

Às vezes, a pessoa continua realizando algumas delas, mas sente que está apenas "cumprindo uma obrigação".

A perda persistente de interesse ou prazer pode aparecer em quadros depressivos, mas também pode ocorrer em diferentes situações de sofrimento psicológico.

Se essa mudança for significativa e persistente, conversar com um psicólogo pode ser útil.


4. Você está tendo dificuldades para dormir

O sono está diretamente relacionado ao bem-estar físico e psicológico.

Problemas emocionais podem contribuir para:

  • dificuldade para adormecer;

  • acordar várias vezes durante a noite;

  • despertar muito cedo;

  • sono não reparador;

  • dormir por períodos muito longos;

  • sensação de cansaço durante o dia.

Por outro lado, alterações persistentes do sono também podem contribuir para piora do humor, irritabilidade, concentração e funcionamento diário.

Por isso, quando problemas de sono aparecem junto com ansiedade, tristeza, preocupação excessiva ou outras mudanças emocionais, pode ser importante procurar avaliação profissional.


5. Você está constantemente sobrecarregado

Nem todo estresse exige psicoterapia.

Períodos de maior trabalho, provas, mudanças de rotina ou responsabilidades familiares podem aumentar temporariamente a sensação de sobrecarga.

Mas pode ser interessante procurar ajuda quando a sensação de estar sobrecarregado se torna constante.

Alguns sinais incluem:

  • sensação de que nunca consegue descansar;

  • dificuldade para desligar a mente;

  • irritabilidade frequente;

  • dificuldade de concentração;

  • procrastinação;

  • sensação de incapacidade para dar conta das tarefas;

  • crises de choro;

  • alterações do sono;

  • perda de produtividade;

  • isolamento.

A terapia pode ajudar a compreender quais fatores estão contribuindo para essa sobrecarga e desenvolver estratégias para lidar com eles.


6. Seus relacionamentos estão sendo prejudicados

Problemas de relacionamento também são motivos legítimos para procurar psicoterapia.

Isso pode envolver:

  • relacionamento amoroso;

  • casamento;

  • namoro;

  • separação;

  • relacionamento com filhos;

  • relacionamento com pais;

  • conflitos familiares;

  • amizades;

  • dificuldades profissionais.

Às vezes, o problema não é uma única discussão.

Pode existir um padrão que se repete.

Por exemplo:

conflito → afastamento → reconciliação → novo conflito.

Ou:

dificuldade de comunicação → interpretação negativa → discussão → silêncio.

A psicoterapia pode ajudar a pessoa a compreender seus próprios padrões de comportamento e comunicação.

Em algumas situações, pode ser indicada psicoterapia individual; em outras, terapia de casal ou familiar pode ser considerada.


7. Você está passando por uma separação ou divórcio

Uma separação pode provocar uma grande mudança na vida.

Mesmo quando a decisão é considerada adequada ou necessária, ela pode envolver:

  • tristeza;

  • raiva;

  • culpa;

  • medo;

  • insegurança;

  • solidão;

  • preocupação financeira;

  • mudanças familiares;

  • dificuldades relacionadas aos filhos;

  • necessidade de reconstrução da rotina.

Nem toda reação emocional a uma separação significa que existe um transtorno.

O sofrimento pode ser uma resposta esperada a uma mudança importante.

Entretanto, quando a pessoa percebe que não consegue reorganizar a vida, que o sofrimento permanece intenso ou que outras áreas estão sendo prejudicadas, procurar ajuda psicológica pode ser importante.


8. Você está passando por um luto

O luto pode acontecer após a morte de alguém, mas também pode estar relacionado a outras perdas significativas.

Por exemplo:

  • término de relacionamento;

  • perda de emprego;

  • mudança de cidade;

  • perda de uma condição de vida;

  • afastamento de alguém importante;

  • mudanças familiares.

O processo de luto não acontece da mesma maneira para todas as pessoas.

Algumas pessoas conseguem atravessar esse período com apoio de familiares e amigos.

Outras podem precisar de acompanhamento psicológico.

Procurar um psicólogo não significa que você esteja "vivendo o luto errado".

A terapia pode oferecer um espaço para elaborar a perda e compreender as mudanças provocadas por ela.


9. Você está evitando cada vez mais situações

A evitação pode ser um importante sinal de sofrimento psicológico.

Por exemplo, uma pessoa pode começar a evitar:

  • sair de casa;

  • dirigir;

  • viajar;

  • falar em público;

  • utilizar transporte público;

  • encontrar pessoas;

  • participar de reuniões;

  • frequentar determinados lugares;

  • iniciar relacionamentos;

  • realizar determinadas tarefas.

A evitação pode proporcionar alívio imediato.

Mas, em algumas situações, ela acaba mantendo ou aumentando o medo.

Nos transtornos de ansiedade, por exemplo, a OMS descreve a evitação de situações que provocam ansiedade como um padrão que pode fazer parte do quadro. Organização Mundial da Saúde

Se você percebe que sua vida está ficando cada vez menor por causa dos seus medos, pode ser importante procurar ajuda.


10. Você está tendo crises de pânico ou medo intenso

Crises de pânico podem envolver sintomas físicos e psicológicos intensos, como:

  • palpitações;

  • sensação de falta de ar;

  • tremores;

  • sudorese;

  • tontura;

  • sensação de perda de controle;

  • medo intenso;

  • sensação de perigo iminente.

A ocorrência de sintomas físicos intensos também pode exigir avaliação médica, especialmente quando são novos ou diferentes do habitual.

Quando episódios recorrentes de medo intenso passam a gerar preocupação constante ou fazem a pessoa modificar sua rotina, procurar avaliação profissional pode ser importante.


11. Você está com dificuldade de concentração

Problemas de concentração podem aparecer em diferentes situações.

Eles podem estar associados a:

  • estresse;

  • ansiedade;

  • privação de sono;

  • depressão;

  • sobrecarga;

  • uso de determinadas substâncias;

  • problemas médicos;

  • outras condições psicológicas.

Por isso, dificuldade de concentração não deve ser interpretada automaticamente como sinal de um transtorno específico.

Mas se você percebe que sua concentração piorou significativamente e isso está prejudicando trabalho, estudos ou tarefas cotidianas, vale considerar uma avaliação profissional.


12. Você está se isolando das outras pessoas

Outro sinal importante é o isolamento progressivo.

Talvez você esteja:

  • respondendo menos mensagens;

  • evitando encontros;

  • cancelando compromissos;

  • deixando de conversar;

  • passando cada vez mais tempo sozinho;

  • evitando familiares;

  • perdendo interesse em atividades sociais.

O isolamento pode ser uma consequência de diferentes problemas emocionais.

Se você percebe que está se afastando das pessoas justamente quando mais precisa de apoio, pode ser importante conversar com alguém de confiança e considerar ajuda profissional.


13. Você sente que não consegue mais lidar com seus problemas sozinho

Nem sempre é necessário identificar um sintoma específico.

Às vezes, a sensação é simplesmente:

"Eu não estou conseguindo lidar com isso."

Essa percepção também é válida.

Talvez você esteja enfrentando:

  • problemas financeiros;

  • dificuldades profissionais;

  • conflitos familiares;

  • mudanças importantes;

  • dificuldades conjugais;

  • responsabilidades excessivas;

  • problemas acadêmicos;

  • uma fase de transição.

Você não precisa esperar que o problema se transforme em um diagnóstico para procurar ajuda.

A psicoterapia também pode funcionar como um espaço para organizar pensamentos, compreender emoções e desenvolver estratégias para enfrentar situações difíceis.


14. Você está usando álcool ou outras substâncias para conseguir lidar com as emoções

Algumas pessoas começam a utilizar álcool, medicamentos ou outras substâncias como uma maneira de lidar com:

  • ansiedade;

  • tristeza;

  • estresse;

  • insônia;

  • raiva;

  • solidão;

  • problemas de relacionamento.

O problema é que essa estratégia pode gerar novos problemas.

Se você percebe que está precisando cada vez mais de uma substância para conseguir relaxar, dormir, sair, trabalhar ou suportar determinadas emoções, procure ajuda profissional.

Dependendo da situação, pode ser necessário um atendimento multiprofissional envolvendo psicologia, psiquiatria e outros serviços de saúde.


15. Você está enfrentando mudanças importantes na vida

Nem sempre precisamos esperar um problema aparecer para procurar terapia.

Grandes transições também podem ser momentos apropriados para buscar apoio.

Por exemplo:

  • casamento;

  • separação;

  • nascimento de um filho;

  • mudança de cidade;

  • mudança de emprego;

  • aposentadoria;

  • início da faculdade;

  • término da faculdade;

  • mudança de carreira;

  • dificuldades relacionadas à maternidade ou paternidade;

  • envelhecimento;

  • saída dos filhos de casa.

Mudanças podem gerar insegurança mesmo quando são positivas.

A psicoterapia pode ajudar a pessoa a compreender essa fase e desenvolver recursos para lidar com a nova realidade.


16. Você está insatisfeito com sua vida, mas não sabe exatamente por quê

Esse é outro motivo bastante comum para procurar psicólogo.

A pessoa pode dizer:

"Minha vida está aparentemente bem, mas eu não estou bem."

Pode existir:

  • sensação de vazio;

  • falta de propósito;

  • insatisfação profissional;

  • dificuldades nos relacionamentos;

  • baixa autoestima;

  • sensação de estagnação;

  • dificuldade de tomar decisões.

Não é necessário ter uma explicação pronta para procurar psicoterapia.

Uma das funções do processo terapêutico pode justamente ser ajudar a pessoa a compreender melhor aquilo que está acontecendo.


17. Você sente que está repetindo os mesmos padrões

Algumas pessoas percebem que determinados problemas aparecem repetidamente.

Por exemplo:

  • relacionamentos que terminam de maneira semelhante;

  • conflitos recorrentes;

  • dificuldade de estabelecer limites;

  • medo de rejeição;

  • dificuldade de dizer "não";

  • procrastinação;

  • autocrítica excessiva;

  • necessidade constante de aprovação;

  • dificuldade de lidar com críticas.

Quando um padrão se repete apesar das tentativas de mudança, a psicoterapia pode ser um espaço para investigar como ele se desenvolveu e quais fatores contribuem para sua manutenção.


18. Você está tendo dificuldade para tomar decisões importantes

Decisões importantes podem provocar muita ansiedade.

Isso pode acontecer diante de:

  • mudança de carreira;

  • término de relacionamento;

  • mudança de cidade;

  • decisões familiares;

  • escolha profissional;

  • problemas financeiros;

  • mudanças acadêmicas.

A terapia não precisa dizer ao paciente qual decisão tomar.

O objetivo pode ser ajudá-lo a compreender melhor:

  • seus valores;

  • seus pensamentos;

  • seus medos;

  • suas prioridades;

  • consequências possíveis;

  • padrões de comportamento.

Dessa maneira, a pessoa pode tomar decisões de maneira mais consciente.


19. Você está excessivamente autocrítico

Algumas pessoas possuem um padrão de cobrança muito elevado.

Pensamentos como:

  • "Eu nunca faço nada direito."

  • "Eu deveria ser melhor."

  • "Todo mundo consegue menos eu."

  • "Não posso cometer erros."

  • "Se eu falhar, será um desastre."

podem gerar sofrimento significativo quando aparecem de maneira frequente e intensa.

A psicoterapia pode ajudar a pessoa a identificar padrões de pensamento, compreender suas origens e desenvolver maneiras mais equilibradas de lidar com erros, expectativas e dificuldades.


20. Você quer se conhecer melhor

A terapia não precisa começar com uma crise.

Algumas pessoas procuram psicoterapia porque querem:

  • compreender melhor seus sentimentos;

  • desenvolver autoestima;

  • melhorar relacionamentos;

  • conhecer seus padrões de comportamento;

  • desenvolver habilidades emocionais;

  • lidar melhor com conflitos;

  • melhorar a comunicação;

  • refletir sobre escolhas;

  • desenvolver novos objetivos.

Portanto, "não tenho um problema grave" não significa "não tenho motivos para fazer terapia".


Quando procurar um psicólogo e quando procurar um psiquiatra?

Psicólogos e psiquiatras são profissionais diferentes, embora possam trabalhar em conjunto.

O psicólogo

O psicólogo possui formação em Psicologia e pode realizar diferentes atividades profissionais, incluindo psicoterapia, de acordo com sua formação, competência e área de atuação.

O psiquiatra

O psiquiatra é médico especializado em Psiquiatria.

Dependendo da situação, pode avaliar condições psiquiátricas e realizar tratamento médico, incluindo prescrição de medicamentos quando indicada.

É possível procurar os dois?

Sim.

Em determinadas situações, o acompanhamento conjunto pode fazer parte do cuidado.

A necessidade de avaliação psiquiátrica depende das características de cada caso.

Por isso, não é necessário que o paciente descubra sozinho qual profissional é "o certo".

Pode começar procurando um profissional de saúde e explicar o que está acontecendo.


Preciso de terapia ou apenas conversar com alguém?

Conversar com familiares e amigos pode ser muito importante.

Ter uma rede de apoio é um fator relevante para o bem-estar.

Mas a psicoterapia é diferente de uma conversa informal.

O psicólogo possui formação profissional específica e utiliza métodos e técnicas psicológicas dentro dos limites de sua atuação profissional.

Uma conversa com alguém de confiança pode ajudar em determinado momento.

A psicoterapia pode ser especialmente útil quando o sofrimento é persistente, quando existe prejuízo no funcionamento ou quando a pessoa sente que suas estratégias habituais não estão sendo suficientes.


Como saber se é hora de procurar um psicólogo?

Uma maneira simples de resumir é observar quatro fatores:

1. Intensidade

O que estou sentindo é muito intenso?

2. Duração

Isso está acontecendo há bastante tempo?

3. Frequência

Está acontecendo repetidamente?

4. Impacto

Está prejudicando minha vida?

Se a resposta for "sim" para várias dessas perguntas, pode ser uma boa ideia conversar com um profissional.

A APA utiliza justamente a combinação entre sofrimento e interferência na vida como uma orientação geral para considerar a busca por terapia. APA


Quando procurar ajuda psicológica imediatamente?

Existem situações em que não é adequado esperar por uma consulta psicológica convencional.

Procure atendimento de urgência quando houver risco imediato à integridade física ou à vida, incluindo situações em que uma pessoa esteja pensando em se matar, tenha intenção ou plano de suicídio, esteja em perigo imediato ou não consiga manter sua própria segurança.

No Brasil, o Ministério da Saúde orienta que, em situações relacionadas ao risco de suicídio, podem ser procurados CAPS, Unidades Básicas de Saúde, UPA 24 horas, SAMU 192, pronto-socorro e hospitais. O CVV atende pelo telefone 188, gratuitamente, 24 horas por dia, oferecendo apoio emocional e prevenção do suicídio. Serviços e Informações do Brasil

Os CAPS são serviços públicos de saúde mental que acolhem pessoas em intenso sofrimento psíquico e podem ser procurados diretamente para o primeiro acolhimento, sem necessidade de agendamento prévio. Serviços e Informações do Brasil

Em uma emergência:

SAMU: 192

UPA 24h / Pronto-socorro: atendimento presencial de urgência

CVV: 188 — apoio emocional gratuito, 24 horas

Se houver risco imediato de uma pessoa se machucar, não a deixe sozinha e procure atendimento de emergência.


Preciso estar em crise para procurar um psicólogo?

Não.

Esse é um dos pontos mais importantes deste artigo.

A psicoterapia pode ser procurada:

  • antes de uma crise;

  • durante uma fase difícil;

  • depois de uma crise;

  • durante uma mudança importante;

  • para prevenir agravamento de problemas;

  • para compreender padrões pessoais;

  • para melhorar relacionamentos;

  • para desenvolver habilidades;

  • ou simplesmente para cuidar da saúde mental.

Não existe uma "quantidade mínima de sofrimento" necessária para justificar a procura por um psicólogo.


Como procurar um psicólogo?

Depois de decidir procurar ajuda, o próximo passo é encontrar um profissional adequado.

Você pode pesquisar por:

  • psicólogo online;

  • psicólogo perto de mim;

  • psicólogo em [nome da cidade];

  • psicólogo para ansiedade;

  • psicólogo para depressão;

  • psicólogo para relacionamento;

  • psicólogo para adolescentes;

  • psicólogo infantil;

  • psicólogo para luto;

  • psicólogo para problemas familiares;

  • psicólogo para autoestima;

  • psicólogo para terapia de casal.

O Conselho Federal de Psicologia orienta que pessoas que procuram um psicólogo podem pesquisar profissionais na internet, pedir referências a pessoas conhecidas ou buscar informações com outros psicólogos. Conselho Federal de Psicologia


Como verificar se o psicólogo é realmente registrado?

Antes de iniciar a psicoterapia, é importante verificar se o profissional está regularmente habilitado para exercer a profissão.

O CFP informa que, para exercer a profissão de psicóloga ou psicólogo, é necessário ter formação em Psicologia e inscrição ativa no Conselho Regional de Psicologia correspondente.

A consulta pode ser realizada no Cadastro Nacional de Psicólogas(os) utilizando o nome, CPF ou número de registro profissional. Conselho Federal de Psicologia

Esse é um dos primeiros cuidados que você pode tomar ao escolher um psicólogo.


Psicólogo online também pode ser uma opção

Para algumas pessoas, a terapia online pode facilitar o acesso ao atendimento psicológico.

Ela pode ser interessante para quem:

  • possui pouco tempo para deslocamento;

  • mora longe de centros urbanos;

  • prefere atendimento de casa;

  • viaja frequentemente;

  • possui dificuldades de mobilidade;

  • quer ampliar as opções de profissionais disponíveis.

A modalidade online possui regras específicas para o exercício profissional da Psicologia mediado por tecnologias digitais.

A escolha entre terapia online e presencial deve considerar as características do paciente, do profissional e da demanda.


O que acontece na primeira sessão de terapia?

A primeira sessão pode variar de acordo com o profissional e a abordagem psicológica.

Normalmente, pode envolver:

  • apresentação;

  • explicação sobre o funcionamento da terapia;

  • compreensão da principal demanda;

  • histórico pessoal;

  • contexto atual;

  • objetivos do paciente;

  • frequência dos atendimentos;

  • questões práticas;

  • definição dos próximos passos.

Você não precisa chegar sabendo exatamente o que dizer.

Pode simplesmente começar com:

"Eu procurei terapia porque..."

A partir daí, o psicólogo poderá fazer perguntas e ajudar a organizar as informações.


E se eu não gostar do primeiro psicólogo?

Isso pode acontecer.

Encontrar um psicólogo adequado envolve também uma questão de compatibilidade.

O profissional pode possuir formação e experiência adequadas, mas você pode não se adaptar à sua maneira de trabalhar.

Isso não significa necessariamente que o profissional seja ruim ou que a terapia não funcione.

Pode simplesmente significar que aquele profissional não é o melhor encaixe para você.

Se isso acontecer, converse sobre suas dúvidas quando possível.

Se ainda assim você perceber que não existe compatibilidade, pode procurar outro profissional.


Como escolher um psicólogo?

Depois de decidir procurar terapia, considere:

☐ O profissional possui CRP ativo?

☐ Conheço sua formação?

☐ Sei qual abordagem utiliza?

☐ Ele trabalha com a minha demanda?

☐ O valor cabe no meu orçamento?

☐ Os horários são compatíveis?

☐ Prefiro atendimento presencial ou online?

☐ Sinto que consigo conversar com esse profissional?

☐ Sinto-me respeitado?

☐ Consigo compreender como funciona o processo terapêutico?

Esses fatores podem ajudar na escolha.

Para aprofundar esse assunto, veja também o nosso artigo:

"Como Escolher um Psicólogo? 10 Pontos para Avaliar Antes de Começar a Terapia"


Não espere o sofrimento ficar insuportável

Um dos maiores obstáculos para procurar ajuda psicológica é pensar:

"Ainda não estou mal o suficiente."

Mas não existe uma linha universal que determine quando uma pessoa "merece" ou "precisa" fazer terapia.

Se alguma situação está causando sofrimento, interferindo na sua vida ou dificultando sua capacidade de lidar com o cotidiano, conversar com um profissional pode ser uma opção.

A saúde mental também envolve prevenção, autoconhecimento, desenvolvimento pessoal e manutenção da qualidade de vida.

Procurar ajuda não é sinal de fraqueza.

Pode ser simplesmente uma forma de cuidar de si.


Conclusão: quando procurar ajuda psicológica?

Você pode considerar procurar um psicólogo quando perceber que determinada dificuldade está causando sofrimento, preocupação persistente ou interferência significativa na sua vida.

Isso pode acontecer diante de:

  • ansiedade;

  • tristeza persistente;

  • perda de interesse;

  • problemas de sono;

  • estresse;

  • sobrecarga;

  • dificuldades profissionais;

  • conflitos familiares;

  • problemas de relacionamento;

  • separação;

  • luto;

  • baixa autoestima;

  • isolamento;

  • crises de pânico;

  • mudanças importantes;

  • dificuldade de tomar decisões;

  • padrões de comportamento que se repetem;

  • uso de substâncias para lidar com emoções;

  • ou simplesmente desejo de se conhecer melhor.

Você não precisa esperar chegar ao limite.

Também não precisa saber exatamente qual é o seu problema antes de procurar um psicólogo.

Pode começar explicando o que está acontecendo.

O profissional poderá ajudar a compreender a situação e avaliar quais caminhos de cuidado fazem sentido.

Se decidir procurar terapia, verifique se o profissional possui registro ativo no Conselho Regional de Psicologia, conheça sua formação e experiência, entenda sua abordagem e observe se existe compatibilidade entre você e o profissional. O CFP disponibiliza o Cadastro Nacional de Psicólogas(os) para essa verificação. Conselho Federal de Psicologia

E, em situações de crise ou risco imediato, procure os serviços de urgência e emergência. No Brasil, o Ministério da Saúde orienta a busca por CAPS, UBS, UPA, SAMU 192, pronto-socorro ou hospitais conforme a situação; o CVV atende pelo 188, gratuitamente e 24 horas por dia. Serviços e Informações do Brasil

Cuidar da saúde mental não significa esperar adoecer para procurar ajuda.


Perguntas frequentes sobre quando procurar um psicólogo

Quando devo procurar um psicólogo?

Pode ser interessante procurar um psicólogo quando problemas emocionais, pensamentos, comportamentos ou situações da vida estiverem causando sofrimento ou interferindo no funcionamento cotidiano.

Como saber se preciso de terapia?

Observe principalmente a intensidade, duração, frequência e impacto do problema. Se ele persiste, causa sofrimento significativo ou prejudica sua vida, considere procurar ajuda profissional.

Preciso ter depressão ou ansiedade para fazer terapia?

Não. A psicoterapia pode ser procurada por pessoas com ou sem diagnóstico de transtorno mental.

Posso fazer terapia mesmo estando relativamente bem?

Sim. A terapia também pode ser utilizada para autoconhecimento, desenvolvimento pessoal, relacionamentos, tomada de decisões e prevenção.

Quando procurar um psicólogo para ansiedade?

Quando a ansiedade se torna intensa, persistente, difícil de controlar ou começa a interferir no trabalho, estudos, relacionamentos, sono ou outras atividades.

Quando procurar um psicólogo para depressão?

Quando tristeza, perda de interesse, falta de energia, desesperança ou outras alterações persistem e começam a interferir significativamente na vida.

Preciso procurar psicólogo ou psiquiatra?

Depende da situação. Psicólogos e psiquiatras possuem formações diferentes e podem atuar de maneira complementar.

Terapia online pode ser uma opção?

Sim. A terapia online pode ampliar o acesso à psicoterapia para algumas pessoas, desde que a modalidade seja adequada à demanda e às condições do atendimento.

Posso trocar de psicólogo?

Sim. Se não houver compatibilidade suficiente, você pode conversar com o profissional e, se necessário, procurar outro psicólogo.

Como verificar se um psicólogo é registrado?

O CFP disponibiliza o Cadastro Nacional de Psicólogas(os), no qual é possível consultar o registro profissional pelo nome, CPF ou número de registro. Conselho Federal de Psicologia


Referências bibliográficas

AMERICAN PSYCHOLOGICAL ASSOCIATION (APA). How Do I Know if I Need Therapy? Washington, DC: American Psychological Association. A publicação apresenta critérios gerais relacionados a sofrimento e interferência na vida para considerar a busca por terapia. APA

CONSELHO FEDERAL DE PSICOLOGIA (CFP). Como saber se uma pessoa é psicóloga(o)? Brasília: Conselho Federal de Psicologia. Informações sobre formação, registro profissional e consulta ao Cadastro Nacional de Psicólogas(os). Conselho Federal de Psicologia

CONSELHO FEDERAL DE PSICOLOGIA (CFP). Preciso de uma(um) psicóloga(o). Brasília: Conselho Federal de Psicologia. Orientações gerais para pessoas que procuram atendimento psicológico. Conselho Federal de Psicologia

CONSELHO FEDERAL DE PSICOLOGIA (CFP). Vai fazer psicoterapia? CFP destaca importância de conferir registro ativo de profissional no Conselho de Psicologia. Brasília, 11 fev. 2026. Conselho Federal de Psicologia

MINISTÉRIO DA SAÚDE. Saúde Mental. Brasília: Ministério da Saúde. Informações sobre a Rede de Atenção Psicossocial e acesso aos serviços públicos de saúde mental. Serviços e Informações do Brasil

MINISTÉRIO DA SAÚDE. Centros de Atenção Psicossocial (CAPS). Brasília: Ministério da Saúde. Informações sobre funcionamento, acolhimento e modalidades dos CAPS. Serviços e Informações do Brasil

MINISTÉRIO DA SAÚDE. Suicídio (Prevenção). Brasília: Ministério da Saúde. Orientações sobre busca de ajuda, serviços de emergência e CVV. Serviços e Informações do Brasil

WORLD HEALTH ORGANIZATION (WHO). Anxiety disorders. Geneva: World Health Organization, 2025. Informações sobre sintomas, impacto funcional, prevenção e tratamento dos transtornos de ansiedade. Organização Mundial da Saúde

WORLD HEALTH ORGANIZATION (WHO). Depressive disorder (depression). Geneva: World Health Organization, 2026. Informações sobre depressão, sintomas, impacto funcional e tratamento. Organização Mundial da Saúde

WORLD HEALTH ORGANIZATION (WHO). Mental disorders. Geneva: World Health Organization, 2026. Informações sobre transtornos mentais, sofrimento e prejuízo funcional.


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